Conceitualização de História

Ao tratarmos a conceituação de historia podemos perceber a partir de koseleck em seu livro “futuro passado contribuição à semântica dos tempos históricos” que o conceito de história muda na sociedade através dos tempos.  Reinhart Koselleck  mostra que  o conceito de história que surgiu na antiguidade predomina até o século XVIII que é a historia Magistra Vitae ou historia mestra da vida que fora apresentada por Cícero na oratória, era um entendimento que se chegava a imortalidade da historia pois, era tida como instrução para posteridade da vida humana. Essa historia tida como mestra da vida na historiografia cristã leva como significado a experiência que os homens vai seguir como modelo, e esse conceito predomina até o século XVIII.

Essa conceituação de magistra vitae se rompe a partir do iluminismo no qual se propõe uma nova forma de pensar a sociedade nessa idéia de ciência que passa a ter  a historia como algo novo como o que ela realmente é um olhar de “ a história em si”. Existe essa ruptura com o iluminismo por que se inaugura um novo tempo que trás a idéia de aceleração temporal, pois antes se tem um período de viver a experiência do outro. Nota-se que anterior ao século XVIII há a sucessão de governantes e dinastias, que a partir da revolução francesa o tipo de governo e de mentalidade vai mudando, pois o que passa a determinar é a categoria de progresso no sentido de que não se tem mais que olhar a experiências do passado para não errar, pois agora o futuro e que importa. A partir desse novo tempo Koselleck coloca que continuamos vivendo a idéia do presente contínuo, pois o passado nem sempre é bom ele tem que ser superado e não vivido novamente, é essa idéia de devir histórico.

Após a revolução francesa a história passa a ser o sujeito, ela passa ser a historia em si, num sentido de coletivo singular nos quais vários fatos vão se concentrar num único conhecimento que é a própria história num sentido de novo tempo. Assim como muda o conceito de história o objeto da história se transforma surgindo assim o conceito de explicação histórica, os fatos passam a ter um elo de ligamento no qual se utilizam de métodos. A história nesse sentido caminha para algo que trás o progresso e o esclarecimento no qual os positivistas entenderam como superação do metafísico para o científico. A filosofia da historia passa a se preocupar com os fatos isolados, busca a singularidade dos processos históricos no qual se pode determinar um tempo histórico.

 Nessa idéia de progresso a história singular, perde a capacidade de ensinar, deixa de ser o exemplo e passa a ser julgado em prol do progresso, tomamos com exemplo o tempo que se destitui do tempo natural e passa a ser contado mecanicamente nesse sentido de progresso tecnológico. Nesse sentido a função da história não deixa de olhar as experiências do passado, o que ela faz agora e um questionamento. A função da história passa a ser daquela que tem o papel de trazer uma explicação, uma lógica para os acontecimentos do passado, mostrando que há uma constante ruptura que trás o progresso que leva a novas experiências que transmite horizontes de expectativas que se identificam como futuro. Então é um passado superado em favor do futuro.

Essa nova história busca a verdade, mas é uma verdade que pode ser errada por conta de uma subjetividade ou um interesse. Ela busca novas fontes, segue métodos. E a partir desse novo conceito de historia se tem a idéia de especialização de história, no qual o historiador passa a buscar um lugar a partir dos métodos e de seu referencial. Surge o historicismo e a história metódica, passa-se a ter a junção entre o relato dos fatos e do acontecimento, interrelação entre os espaços, institucionalização da historia que recebe seu sentido fragmentado e determinação de uma lógica de processos históricos.

Jutamente com a história a modernidade também sofre mudanças não apenas no seu sentido mental como também temporal. Berman vai conceitualizar modernidade como experiência de tempo e espaço que tem como causa as novas mentalidades no que diz respeito às novas formas que a sociedade passa a ter que vai desde um caráter social, econômico até o político. E os rumos que se tem no o avanço técnico e cientifico na consolidação de uma extrutura burocrática dos estados nacionais, é a globalização que vai se estabelecendo com o aumento demográfico, que em suas fases acarretam mudanças sociais no qual se exemplificam com pensadores como Rosesseaw, Marx, Nietzche.

 

Berman coloca três conceitos para trabalhar a modernidade: o primeiro é a modernidade que ele vai designar como as experiências vitais, que estão ocorrendo nesse novo mundo que vai se estabelecendo, segundo é o modernismo que reflete sobre a modernização no campo das artes, da filosofia e da ciência e terceiro a modernização que é  os processos sociais e econômicos que se vão desencadear nesse processo.

A modernidade, segundo Berman, pode ser compreendida enquanto um modo de vida, uma experiência vital de tempo e espaço de si mesmo e dos outros, das obter possibilidades e perigos da vida, o que nos remete a conceituação de historia do velho topos e novo topos de Koselleck. A modernidade e o desenvolvimento que permitiu expectativas de ampliação dos horizontes ao mesmo tempo em que fez tudo que era regra se desmanchar, fez ocorrer mudanças até mesmo no imaginario, que obteve quebra de paradigmas. Segundo o Berman a modernidade é o estado de coisas criadas num processo em que estava se estabelecendo o capitalismo, é um produto da ascensão da e revoluções da burguesia, a classe que aniquilou velhas tradições e instituições sociais, abriu possibilidade tanto na capacidade de produção como para o desenvolvimento humano. A modernidade é uma revolução contínua que trás diferenciações sociais produzindo uma separação de desenvolvimento individual e social humano. Então assim percebe-se que para Berman sem o capitalismo a modernidade deixaria de ser modernidade, por isso ele usa Marx em grande parte de seu texto, esclarecendo que para o autor modernidade não é sinônimo de capitalismo, são apenas dois processos que se entrecruzam em determinados momentos que se ocorrem no mesmo tempo.

Joseph Berman divide a modernidade em três fases: na primeira tem uma periodização que vai do século XVI até o fim do século XVIII, no qual as pessoas estão apenas começando a experimentar essas mudanças às vezes imperceptíveis aos seus olhares, mal fazem idéia do que esta acontecendo ao seu redor. Construída ainda no renascimento como forma de contrapor a idade média e que se funda um novo tempo que se estabelece com um período de transição, o pensador que Berman menciona a está fase é Rousseau que foi o primeiro a usar a palavra moderniste, porém no sentido que a palavra trás no século XIX e XX, ele percebeu essas mudanças que começaram a moldar a vida dos contemporâneos à época, ele percebeu que o vinculo familiar e de religião estavam se alterando estabelecendo conflitos na sociedade que antes denominava “sem perspectivas de mudança”.

A segunda fase se estabelece coma revolução francesa no século XVIII até o século XIV e Berman trabalha com dois pensadores: Marx e Nietzsche. Um período de grandes ondas revolucionarias que começa coma revolução francesa e suas influências, ganha vida de maneira trágica com um numero grande de pessoas que tomaram para si suas dores dando esse sentimento de viver em uma época revolucionaria para conquistar o inconquistável. Então nessa fase as pessoas compartilham o momento que vêem rupturas, vêem acelerações mas que ainda não romperam com o passado, mas que não se têm a certeza do que virá no futuro.

Na terceira fase o processo de modernização se expande a ponto de abarcar o mundo todo não se centralizando em alguns lugares específicos, conseguindo alguns triunfos como nas artes e na mentalidade individual. Essa fase se afirma no século XX em que se tem uma expansão do modernismo no sentido de que tudo que e moderno leva uma fragmentação, perde o contato com as raízes do conceito de modernidade que trás a criticidade.

Então fazer uma analise do que é historia e modernidade e o que esses conceitos nos remete a frase de Berman: “tudo que é solido se desmancha no ar”.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: