o mercantilismo

Ao analisar o Mercantilismo Falcon começa alertando para não cometer anacronismo. Ee coloca que ao analisar as práticas e idéias mercantilistas tem que levar em conta que esse termo ou conceito “mercantilista” não é contemporâneo à sua época, o que é contemporâneo à sua época são percepções que alguns tiveram. O mercantilismo é então uma construção sob o olhar do século XIX.

Então ele vai dizer que talvez a primeira observação válida a respeito do Mercantilismo é de que ele nunca possa ter existido, tratando-se bem mais que um mito, assim como afirma Pierre Deyon, cuja criação é historicamente posterior ao objetivo cuja existência tenta delimitar. Foram seus adversários, os fisiocratas do século XVIII  e os economistas da escola clássica, dos séculos XVIII e XIX, que de certa forma o construíram denominando-o, à época, de sistema mercantil ou “do comercio”.

Para Falcon, o Mercantilismo não é uma ideologia, doutrina ou sistema. Para o autor o mercantilismo foi o produto das condições especificas de um determinado período histórico do Ocidente, caracterizado pela época mercantilista um período de transição que existe elementos feudais com resquícios de servidão e elementos capitalistas.

Falcon coloca que nas praticas e idéias mercantilistas há a convivência de características feudais e capitalistas, com especificidades próprias resultante do fato de que em suas formações sociais, políticas e ideológicas que não são feudais, nem podem ser chamadas de capitalista, mas, podem ser chamadas de transição.

Falcon vai dizer que o Mercantilismo é definido a partir do olhar de quem olha tal praticam, ela diz que uns a olham como capitalismo mercantil, outros como um sistema, outros como doutrina e outros como modo de produção; ele vai dizer que todos esses conceitos são coerentes só que nenhum deles é capaz realmente de definir o que aconteceu, como essas idéias e praticas que eles dominam mercantilismo.

Ele vai dizer que tais idéias não constituem um sistema, nem tampouco uma doutrina. Ele diz que em termos de sistema falta-lhes rigor analítico, coerências ou consistências internas e quanto a doutrina, carecem de uma armadura racional e logicamente demonstrável composta de leis e princípios independentes e dedutíveis a partir de seus elementos mais gerais, ele vai dizer que o mercantilismo é um conjunto de idéias e práticas econômicas que caracteriza a historia econômica desse período. Para ele, o mercantilismo é o produto de uma época.

Falcon coloca que estas praticas e idéias fazem parte de uma época de transição com o dito anteriormente, que da mesmo forma que houve elementos socialmente e economicamente capitalistas onde desenvolveram-se varias atividades comerciais com elementos econômicos dos Estados modernos europeus, durante o período situado entre os séculos XV, XVI e XVII.

O autor fala que a especificidade do período de transição está exatamente na existência de certa defasagem entre o processo de autonomizaçao do político e o processo idêntico relativo ao econômico, ele vai dizer que o espaço que medeia essas duas autonomizaçoes é justamente aquele que chamamos de “mercantilismo”.

Ele vai dizer em relação à política que a autonomização do político, isto é, a possibilidade de pessoas produzirem um discurso a respeito da política como realidade imanente, possuidora de lógica própria, desvinculada das preocupações teológicas e filosofias, morais e transcendentes, que ate então haviam mercado os tratados e utopias políticas têm seu ponto de partida na obra de Maquiavel, no inicio do século VXI.

Na questão econômica, ele vai dizer que o que não existia ainda era o campo distinto, o que existiam eram idéias que podemos chamar econômicas, ele vai dizer que são essas idéias econômicas do período de transição que ele denomina de “idéias mercantilistas”.

As idéias mercantilistas nos séculos XV e XVI estão baseada na “teoria quantitativa de moeda”, alem dos mercantilistas dessa época afirmaram que a moeda é uma mercadoria, os autores mercantilistas identifica no metal precioso ao mesmo tempo um meio de obter a riqueza e um signo dessa mesma riqueza.

Já nas idéias mercantilistas no século XVI Falcon vai dizer que o primeiro fato a assinalar é a persistência de concepções metalista, vindo a seguir o desenvolvimento do chamado “Teoria da  balança comercial”. Ele vai dizer que as idéias metalistas  aparecem nos mesmos autores que tem na teoria do balanço comercial a sua contribuição principal.

As idéias mercantilistas do século XVIII Falcon vai dizer que há a valorização do comercio que coloca então em destaque o comercio e a produção da riqueza para o estado. No século XVII já ganha força e liberdade econômica.

Falcon caracteriza as idéias mercantilistas em primeiro lugar, ele diz que elas não se articulam a partir de um princípio explicativo universal, em segundo ele diz que é evidente que lhes falte a visão da totalidade dos fenômenos que analisam, limitam-se a setores particulares da realidade. Ele conclui que as idéias traduzem a importância cada vez maior dos princípios e cálculos racionais no trato dos problemas político-econômico.

Falcon caracteriza as idéias mercantilistas a partir do valor, preço e moeda na qual as concepções escolásticas oscilam entre a ênfase atribuída ao custo de produção e a importância dada a abundancia ou escassez de oferta.

Caracteriza também a partir do balanço comercial, no qual implica a identificação entre a economia de um pai como um todo e a economia de uma empresa mercantil. No industrialismo ele trata a acepção genérica que identifica como tal, toda e qualquer produção resultante da utilização da habilidade manual na confecção de artigos necessários à vida humana. Ele diz que resulta o trabalho artesanal e também diz que o elemento de fato articula industrialismo, e o balanço comercial é o conjunto de medidas que formam a política protecionista. Os artigos de luxo geralmente eram produzidos com a idéia de ganhar lucro através da exportação. Na agricultura, as idéias mercantilistas distinguem, na realidade, duas agriculturas: o dos gêneros de subsistência e a comercial.

Na população, Falcon vai dizer que grande parte deles eram empregados  nas atividades manufatureiras, pois assim as riquezas produzidas e bem maior.

No sistema colonial a conquista e exploração de colônias e um ponto essencial das idéias mercantilistas.

A respeito das práticas ele vai dizer que todas elas preocuparam-se com a questão das medidas de controle e proibição quanto a saída dos metais preciosos, e em conexão com essa questão que se definem também as medidas de incentivo e proteção às atividades produtivas que possam evitar ou diminuir as importações de mercadoria estrangeiras.

Nos séculos XV e XVI, Falcon vai dizer que as praticas mercantilistas assumiram então duas formas principais e o monopolismo de exportação e o monitorismo ou bulionismo. No século XVII as práticas mercantilistas concentram suas políticas econômicas na aplicação do principio da balança comercial. No século XVIII, o principal fato relativo às práticas mercantilistas durante o setecentos é a sua permanência, pela força da inércia ou dos interesses socioeconômicos que lhes davam condições de existência.

A partir da análise que Falcon fez, os pontos citados no decorrer deste texto ele fala que o mercantilismo deve ser entendido como o conjunto de idéias e praticas econômicas dos Estados modernos europeus durante o período situado entre os séculos XV, XVII e XVIII. Ele também propõe que o Mercantilismo pode ser visto, principalmente, a política econômica do Estado moderno europeu absolutista, embora ele duvide que o mercantilismo fosse um “sistema uniforme e coerente”.

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