A história das mulheres no Brasil do período colonial

A história das mulheres no Brasil do período colonial

Sarah de Sousa Alves

*graduanda em historia

 

Resumo

O presente artigo trás a temática da historia das mulheres no Brasil do período colonial, expondo qual era a sua significância para época, abordando temas como a maternidade como ela era vivenciada, o que significava ser mãe, o que as mães faziam com seus filhos indesejáveis e por quais motivos faziam isso, aborda também como elas eram vista, e como era a educação feminina no Brasil.

Palavras chaves: colônia, mulher, maternidade, pecadora, educação.

 

Abstract

This article studies the history of women in colonial Brazil, exposing what was it’s significance for the time, covering topics such as motherhood as it was lived, what it meant to be a mother, what mothers did to their sons and undesirable what reasons did so, it looks like they were also seen, and as was female education in Brazil.

 

Keywords: Cologne, women, maternity, sinful, education

 

 

 

 

 

 

Introdução

As mulheres do período colonial enfrentavam grandes descriminações, por conta destas discriminações que eram praticadas por uma sociedade machista, elas eram vista como quase nada, eram vistas como meras donas de casa, objetos de desejos sexuais, e que não possuía inteligência o suficiente para estudar, as negras e índias eram as mais vistas como símbolo do pecado dos colonos pois, eram lindas e tinha liberdades que as colonas não possuíam.

O olhar masculino reservava às mulheres imagens diferentes, sendo em determinados momentos um ser frágil, vitimizado e santo, e, em outros, uma mulher forte, perigosa e pecadora. Essas características levaram a dois papéis14 impostos às mulheres: o de Eva, que servia para denegrir a imagem da mulher por ele maculada; e o de Maria, santa mãe zelosa e obediente, que deveria ser alcançado por toda mulher honrada.

 

A maternidade no Brasil colônia

 

Pensar a história da maternidade na colônia significa examinar a condição feminina no que diz respeito às funções das mulheres nas relações familiares e conjugais no período colonial, significa tentar entender como a maternidade era vivenciada, e quais os aspectos e problemas deste período que estão presentes até hoje no século XXI.

Assim como em Portugal a igreja teve grandes influências no Brasil colonial. A igreja tinha no matrimonio a base familiar, e a serviço do Estado, impôs algumas normas. Dentro dessas normas estava a de conduta, no qual o marido e a esposa tinham algumas obrigações dentro do casamento. A mulher estava restrita aos afazeres domésticos e o homem tinha o papel de ser o provedor do lar.

As mulheres de elite eram submissas e dedicadas apenas aos seus lares, já as mulheres mais pobres, geralmente precisavam trabalhar, pois nem todas tinham marido, trabalhavam, pois precisavam ajudar nas despesas. A maioria dos lares era de famílias pequenas. “a realidade colonial era de lares pequenos e famílias com estruturas simplificadas”. (DEL PRIORE, 1993. P.46).

Era comum a existência de mães solteiras, que geralmente eram enganadas por falsas promessas e muitas vezas eram abusadas sexualmente. Essas eram humilhadas, abandonadas, descriminada pela sociedade, “como auto sacrificadas, submissas sexualmente e materialmente reclusas, a imagem da mulher de elite se opõe a promiscuidade e à lascívia da mulher de classe subalterna, em regra mulata ou índia”.  (DEL PRIORE, 1993.p.46).

Não muito diferente de hoje assim como ocorreu na colônia onde a maioria das mulheres pobres viviam sem marido ou tinham companheiros estáveis, no Brasil hoje isso e muito comum de se encontrar sobre tudo em lugares mais humildes, e mais muitas das crianças dessas mulheres do período colonial  eram criadas por outras famílias geral mente por conta das mães não ter condição, ou por uma possível descoberta de o pai ser pai de outra família.

Também na colônia era comum as relações concubinárias “a igreja apertava o cerco em torno das formas não sacramentadas de convívio.”(DEL PRIORE, 1993.p.50) como mostra  Del Priore a igreja não concordava com tal condição. Essa relação concubinária, trás até hoje nas famílias mais tradicionais preconceitos principalmente em relação as mulheres que topam viver com um homem sem  a aliança do matrimônio.

Como o homem em grande parte era ausente, essa ausência trouxe algumas conseqüências: as mulheres passaram a ser chefes de suas casas e famílias, eram obrigadas a enfrentarem os problemas sozinhos. Por conta desses problemas muitas preferiam casar até sem amor, pois ter uma família segura significava que tinha que ter um marido provedor, ou seja, não passar por tais dificuldades.

Para muitas mães desprotegidas por não ter uma relação matrimonial os filhos não significava uma “benção”, uma alegria, o filho era tido como um peso, como mais uma boca para alimentar. Por conta desses fatores muitas mulheres preferiam abortar, abandonar ou até cometer infanticídios. Então podemos notar que no Brasil, o abandono de bebes vem desde aera colonial, quando era comum encontrar bebes largados em ruas, em becos, em portas de casas, até no lixo havia possibilidade de alguém recolher uma criança e criar. O abandono de bebes muitas vezes era para preservar a honra de moças de família e era também pela falta de recursos para criar mais um filho. Eram vários os fatores que faziam com que as crianças nascessem e ficassem sem mãe, ou até nem chegassem a nascer. Hoje em dia essa desordem do poder público que muitas vezes não distribuem preservativos e vacinas fazem com que muitas mulheres tenham filhos indesejáveis e se vêem obrigadas a não ter eles ou a dar para os outros criarem.

Podemos dizer que no Brasil colonial não tinha meios de preservação igual a hoje, mas o que adianta hoje ter tanta informação se muitos não recebem de graça essa proteção? Quantas mulheres que não tem acesso a essa informação tem mais de Dez filhos e não sabe nem por onde andam?

No Brasil parece que assistimos as praticas de infanticídio, e de abandono, do Brasil colônia. É preciso resolver o problema da exclusão social e ter uma melhor política de prevenção de gravidez e controle de natalidade.

Doença, morte, rejeição, pobreza da mãe são fatores determinantes na entrega de um bebe para cuidados institucionais.

A pesar dessa preocupação das campanhas algumas instituições tem se preocupado com o crescente números de nenéns, maternidade sempre foi algo preocupante para as autoridades civis e eclesiásticas, visto o crescente números de mulheres férteis na colônia  e o crescente números de bebes  abandonados pelas ruas e casa de pessoas importantes na administração do Brasil é que entra o surgimento das santas casa de misericórdias. Esses hospitais que eram da igreja católica se tornam públicos com o apoio das autoridades locais, e o local onde colocavam as crianças abandonadas tornou parte integrante dele.

As mães que abandonavam recém nascidos tinham seus motivos, geralmente isso poderia ser um ato de amor: por conta da fome, a criança poderia ser filho de escravo e para obter a liberdade de seus filhos eles os abandonavam. Mas também poderia ser um ato de crueldade, como a vergonha de ter cometido adultério, ou ser mãe solteira.

Com as mães escravas a situação era ainda pior do que com as mães que apenas eram pobres, pois a maioria das escravas estavam associadas a exploração sexual , que era praticada por feitores  e senhores. Isso resultava a indignação da mulher e resultava também que os filhos na maioria das vezes não eram reconhecidos por seu pai.

“um filho ilegítimo (de mulheres negras e mestiças) não desonrava a mãe no mesmo grau de uma mulher branca.” (DEL PRIORE, 1989.p.198) então “o modelo patriarcal que contrapõe o recato da mulher branca à promiscuidade das escravas é uma grosseira simplificação da realidade (DEL PRIORE, 1989. P.199)

 

A mulher o símbolo do pecado, o símbolo da relação entre o sagrado e o profano.

 

A mulher colonial independentemente da cor, nação ou classe social era vista como a origem de todos os males, elas eram tidas como as portas do inferno. Elas eram tão descriminadas, por ser uma sociedade machista que Emanuel Araujo diz que a própria medicina não conhecia o corpo feminino e tudo que acontecia com as mulheres era atribuído a demônios que viviam em seus corpos fazendo-as padecer de cólicas, e de dores do parto.

A mentalidade colonial advinda de Portugal era que as mulheres tinham que sempre submetesse e estar sujeitas aos maridos, como eram muito cristão eles tratavam as mulheres conforme o apostolo Paulo havia escrito em sua carta a efésios (5: 22-24 )

“as mulheres estejam sujeitos aos seus maridos, como ao Senhor, porque o homem é cabeça da mulher assim como Cristo é cabeça da igreja… como a igreja está sujeita a Cristo estejam as mulheres sujeitas aos seus maridos. O marido era portanto o representante de Cristo no lar”. (EMANUEL ARAUJO, 1993.p.193)

 

Para o padre Antonio Vieira a mulher era símbolo do pecado pois Eva era apenas uma mulher e foi capaz de fazer a cabeça do homem, ele fala que o mundo está cheio de mulheres devassa.Algumas das mulheres era associada ao mal, por conta de serem a imagem de Eva, a mulher era feiticeiras,

“As mulheres são piores do que as serpentes, maldosas e maliciosas; depois “são por natureza mais impressionáveis e mais propensas a receberem a influencia do espírito descorporificado”… a mulher é mais carnal do que o homem, o que se evidência pelas suas muitas abominações carnais”. (EMANUEL ARAUJO, 1993.p.200)

 

“recato, humildade e continência eram exigidas da mulher com mais rigor na sociedade patriarcal, mas essa virtude cobrava-as de todas as igrejas.” (EMANUEL ARAUJO, 1993.p.213) a igreja intervia em todas as ações familiares até o ato sexual, para igreja era apenas para reprodução não para satisfação ou prazer, se caso as mulheres tivessem relação sexual que não fosse com esse fim ela era considerada pecadora das mais negadas por Cristo.

Fazer sexo sem o objetivo colocado pela igreja era tido como pecado de luxuria e fornicação.

A mulher era símbolo do pecado também pelo fator do concubinato “ o concubinato ou amancebamento consiste em uma ilícita conservação do homem com mulher continuada por tempos consideráveis. (EMANUEL ARAUJO, 1993.p.238).

Algumas mulheres não comprometidas não se mantinham em castidade sexual, elas eram sedutoras, cometiam atos homossexuais , até com padres tinham relações ilícitas e as mantinham discretamente “ a vizinhança já sabia: quando um clérigo aparecia repentinamente como padrinho dos filhos de uma mesma mãe solteira, não havia duvida de ele ser o pai ‘desconhecido’ de sés afilhados (EMANUEL ARAUJO, 1993.p.246).

Nos séculos XVI e XVII a luxuria e o desejo eram argumentos suficientes para a condenação humana.

As índias belas e lindas viviam despidas e sem a preocupação de estar nua, com sua nudez chamava a atenção dos recém chegados ao Brasil , para a igreja na nudez consistia o pecado, e para os profanos essa nudez era uma maravilha pois eles estavam reduntos por sexo, por serem poucas as portuguesas que desembarcaram no Brasil. Em uma carta a Pero Vaz de Caminha ao Rei Dom Manuelele diz:

[...] ali andava entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos, cumpridos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas, tão acerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem em olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha… E certo era tão bem feita, e tão redonda, e sua vergonha (que ela não tinha) tão graciosa que muitas mulheres da nossa terra vendo- lhes tais funções, fizera vergonha, por não terem a sua como ela.[...].

 

Por ter uma educação cristã onde a nudez era considerada pecado tal desejo dos colonos pelas índias trazia-lhes sentimento de culpa, pois elas com a sua beleza os seduziam. Os índios com costumes sexuais livres estimulavam os colonos a praticarem atos sexuais com as índias.

Nota-se que com os costumes liberais indígenas e a vontade de fazer sexo dos colonos pode partir daí o favorecimento das praticas sexuais na colônia pelo qual, como notamos, era extremamente abominado pela igreja.

Assim como as índias as negras também eram mulheres extremamente lindas que favoreciam a relação extra conjugal e favoreceu a miscigenação das raças que compõe o Brasil. Apartir do “pecado” de muitas mulheres que seduziam os “santinhos homens puros” o Brasil é essa mistura de cores.

Muitas pessoas em pleno século XXI não deixou de ter a mulher como depravada, como símbolo do pecado, como a única culpada por praticas sexuais pecaminosas, assim como elas eram vista como objeto sexual, ainda existem desprovidos de informação, e que não percebem que o papel delas mudou e que elas adquiriram espaço decisivo na sociedade, que pensa que o lugar da mulher e só dentro de casa passando, fazendo comida, lavando e cuidando  de menino, ou na prostituição se vendendo para eles.

 

Educação feminina no Brasil colonial

 

O letramento, a instrução e acultura quase sempre inexistiram no Brasil colonial para a maioria dos habitantes da colônia. A educação pedagógica era coerciva, baseada da ação bruta da obediência severa. Os colonos portugueses não trouxeram suas famílias e consequentemente achavam que não tinha o porque trazer educação para a colônia, o que eles queriam era apenas estabelecer negócios com a empresa colonizadora. Podemos notar que basicamente não tinha educação feminina.

No período colonial a mulher era vista como um ser inferior de propriedade do homem, a ela cabia apenas os afazeres domésticos. As mulheres para a sociedade masculina não tinha a necessidade de saber ler ou fazer conta, pois a elas cabia apenas a função de limpar, cozinhar e lavar as que tinham oportunidade de aprender e porque prestavam serviços de interesse dos homens: aprendiam a lhe dar com comércio e aprendia a ler para ensinar os filhos dos senhorzinhos.

 

Conclusão

 

Podemos perceber que o período colonial do Brasil gerou a formação de uma sociedade, na qual a mulher significava quase nada, e com isso sua imagem foi afetada durante muitas décadas, vemos que até hoje as mulheres são Caçoadas com sua condição de ser mais frágil. Vimos que elas eram vistas em segundo plano na sociedade colonial. Notamos que a indisciplina sexual estava presente na colônia, pois muitos homens periferia as belas índias e escravas do que suas próprias mulheres que eram brancas. Concluímos que as mulheres no Brasil colônia eram tão desvalorizadas que mesmo os das classes sociais alta tinham pouco acesso à educação, no Maximo o que poderia tornar-se era professoras e sem os estudos adequados, e também sendo inferior a educação dirigida aos homens.

Do Brasil colonial para cá muitas coisas tem mudado em relação as mulheres isso não significa que não deve continuar mudando, logicamente precisam mudar muitas coisas um exemplo disso e o salário feminino que ainda é inferior ao salário recebido por homens de uma mesma profissão.

 

 

Bibliografia

ARAÚJO, Emanuel. O Teatro dos Vícios: transgreção e transigência na sociedade urbana colonial. Rio de Janeiro: Jose Olimpio,1993.

FREYRE, Gilberto. Sobrados e Mucambos: decadência do patriarcado rural e desenvolvimento do urbano. S. Ed. Rio de Janeiro: Olympio INL, 1977.

LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina. A formação da leitura no Brasil. São Paulo: Ática,1996. (Series Temas, 58)

DEL PRIORE, Mary (Org.). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto; Editora UNESP, 1997.

 

RIBEIRO, Arilda Inês Miranda. Mulheres educadas na colônia. In: LOPES, Eliane (Org.).

500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.

In: WWW.unibero.edu.br aces

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